Bandas Esquecidas 2 – The Sound

The Sound

A pergunta mais frequente em relação a essa banda é “Por que a maioria de suas músicas não foram lançadas nos USA ?”.

Nenhum executivo americano de gravadora tem culpa. Eles poderiam dizer que o The Sound era uma banda “caseira”, isto é, somente conhecida e respeitada em seu território de origem, o Reino Unido, como um ato “cult” que dificilmente se sairia bem em outros países com culturas diferentes. A imprensa geralmente elogiava seu trabalho muito mais que de outros artistas da época, principalmente no começo, e a crítica sempre o classificava de bom à excelente, o que era coerente porque os cinco álbuns gravados pela banda não tinham a mesma sonoridade, sempre havia uma evolução em relação ao anterior.

Suas músicas tinham apelo emocional sem extremos, as letras confrontavam problemas da vida adulta sem se aprofundar em crises de depressão. Os membros não tinham aparência para serem considerados ídolos adolescentes, e também não mostravam fortes personalidades e nem diziam coisas contundentes em entrevistas, mas isso não era um problema para eles. Eles tiveram carisma suficiente para cativar muitos fãs na Alemanha e Holanda, fora isso tinham outros poucos seguidores espalhados pela Europa. No restante do planeta, eram totalmente desconhecidos.

O The Sound foi formado em 1979 em Londres, pouco tempo depois da banda The Outsiders encerrar suas atividades. Um fato que poucos conhecem é que o LP “Calling on Youth” dos Outsiders de 1977 foi o primeiro álbum de produção independente do movimento punk inglês, lançado quatro meses depois do compacto “Spiral Scratch” do Buzzcocks.

O guitarrista, vocalista e compositor Adrian Borland esteve à frente dos Outsiders em algumas gravações, mas a banda implodiu três anos após sua formação em 1976. O baixista Graham Bailey que se juntou à banda para as últimas gravações, acompanhou Borland para o novo projeto com o baterista Michael Dudley e o tecladista Bi Marshall. Borland encontrou motivação para abandonar o movimento punk espelhando-se na saída de Howard Devoto dos Buzzcocks. Assim como Devoto, que foi para um outro movimento pioneiro que passava a ser chamado post-punk com a banda Magazine, Borland olhou para as bandas que estavam surgindo na época e sentiu a necessidade de algo mais atmosférico e com climas mais tensos.

Quanto às letras, não se contentava em falar apenas sobre protestos contra governos e políticos ou críticas a outros assuntos genéricos, Borland se tornou um dos poucos compositores da época que tinham algo realmente de valor a dizer com uma poesia mais requintada. O ex-integrante dos Outsiders Adrian James continuou trabalhando com Borlan nos bastidores, escrevendo letras para o The Sound.

As primeiras gravações do The Sound foram feitas na casa de Borland, com seu pai Bob atuando como engenheiro de som. Esse material teve um lançamento póstumo em 1999 entitulado Propaganda. Nesse trabalho a banda foi lentamente deixando para trás suas influências dos Stooges e fazendo algo com sua própria identidade. Stephen Budd, do selo Tortch-R, que havia lançado com êxito o material de um projeto paralelo de Borland voltado para música eletrônica, ouviu essas gravações e decidiu investir no The Sound junto com Nick Robbins, atuando como empresário e financiando as gravações em estúdio para o primeiro EP. Também começou a procurar lugares para iniciar uma turnê da banda.

O primeiro EP “Physical World” não causou muito impacto mas recebeu uma crítica positiva de Paul Morley, da revista NME, e despertou algum interesse em John Peel que divulgou o material algumas vezes em seu programa na BBC. Apesar de não ter um lançamento explosivo para despertar interesse de uma grande gravadora, o selo Korova (afiliado da WEA) assinou com a banda e lançou seu primeiro álbum, o “Jeopardy”, que foi gravado sem muitos investimentos, mas recebeu críticas muito favoráveis das revistas NME e Melody Maker, que começaram a compará-los e elevá-los ao nível de Echo & The Bunnymen e Joy Division.

Bi Marshall deixou a banda e foi substituído por Max Mayers. Então começaram a trabalhar com o Hugh Jones que anteriormente produziu os Bunnymen. Surge o segundo álbum “From The Lions Mouth”, alcançando a plena atmosfera desejada então pela banda, com uma produção rica em detalhes e sonoridade. Um clássico do post-punk que é atualmente item básico no arsenal dos fãs do movimento, com a faixa “Silent Air”, dedicada a Ian Curtis do Joy Division. Mais uma vez, foi muito aclamado pela crítica e tratado com indiferença pelo público.

Surgiu então uma certa pressão da gravadora (Korova), que esperava por mais hits, música de fácil aceitação do público em geral. Isso nunca aconteceu e eles voltaram a trabalhar com Nick Robbins ainda com a pressão por assumir um compromisso mais pop. E ainda a banda foi transferida para a WEA por questões tributárias. Depois dessas mudanças surgiu o terceiro álbum “All Fall Down”, sem o apelo desejado pela gravadora, resultando em total falta de promoção. Não era um bom momento para o The Sound, então se desligaram da WEA para repensar sua trajetória e planejar seu futuro. Muitos selos maiores demonstraram interesse em contratá-los, mas acabaram assinando com o Statik, uma gravadora pequena.

Paralelamente a banda assinou um contrato com a A&M para lançar seu material nos USA, o EP “Shock of Daylight” com seis músicas gravado em 1984, mas sem nenhum êxito. No ano seguinte lançam então seu quarto álbum, o “Heads and Hearts”. E finalmente em 1987 gravam “Thunder UP”, o álbum de despedida pelo selo PIAS.

Borland continuou em carreira solo lançando alguns álbuns por selos independentes, sempre se mantendo no underground mas com seguidores fiéis ao seu trabalho. Bailey e Dudley abandonaram a música juntamente com Mayers, que morreu no começo da década de 90 vítima de AIDS. Em 26 de abril de 1999, após várias crises de depressão, problemas com alcoolismo e tentativas de suicídio, Borland se atirou à frente de um trem na estação Winbledon em Londres. Um mês antes havia escrito uma carta direcionada aos seus fãs, onde mostrava muito entusiasmo com seu novo álbum solo que estava em processo de gravação, o que tornou sua morte ainda mais triste. Abaixo algumas faixas para ouvir e conhecer. ENJOY !!!!

PARA QUEM GOSTA DE: Joy Division, Echo & The Bunnymen, U2.

Heyday – http://www.youtube.com/watch?v=XLIPVMhdn4U

I Can’t Escape Myself – http://www.youtube.com/watch?v=M0FKEDexivA&feature=related

Heartland – http://www.youtube.com/watch?v=fLhOijA1PUY&feature=related

Heartland (ao vivo) – http://www.youtube.com/watch?v=ukMXtpq4-SA&feature=related

The Fire – http://www.youtube.com/watch?v=wO8w6bAjeMM

The Fire (ao vivo) – http://www.youtube.com/watch?v=OgzCRQ5bWxc

Silent Air (ao vivo) – http://www.youtube.com/watch?v=NYyYJOwVlKk&feature=related

Sense of Purpose – http://www.youtube.com/watch?v=QASCZy0E9L8

Red Paint – http://www.youtube.com/watch?v=uo-SHtVVl48&feature=related

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Paulo Chiara – Guitarrista da Banda Bonjour Madame e guitarrista e tecladista da Banda Dead Souls. Nas horas vagas coleciona guitarras entre uma cerveja e outra.

Revisão: Heliana Nogueira

~ por 80stributebands em maio 28, 2010.

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